Archive for Novembro, 2020

Intervenção Arqueológica na Rua da Carreira

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Os imóveis do empreendimento turístico denominado Solar da Carreira localizam-se na Rua da Carreira, na freguesia de São Pedro, concelho do Funchal e integram o Centro Histórico da Sé. Os trabalhos arqueológicos, desenvolvidos pela equipa do CEAM, decorreram entre julho de 2019 e maio de 2020.

Os edifícios da intervenção compõem um conjunto habitacional (século XVIII) que, mais tarde, serviu a anterior Academia de Belas Artes (século XX), que dinamizou o ensino e a cultura no Funchal. No entanto, os resultados arqueológicos confirmam pré-existências, que remontam ao século XVI, onde detetámos um núcleo habitacional com acesso a um espaço exterior, o logradouro, onde funcionava um poço.

No total foram identificadas cinco fases construtivas que, sucessivamente, introduziram alterações estruturais e funcionais nos edifícios, mostrando que estes foram ocupando o eixo viário, sem que isso tenha alterado o traçado da Rua da Carreira, conforme mostram as sobreposições da Planta da Cidade de Mateus Fernandes (1570) e a planta atual.

Património Cultural Subaquático – Canhões da Ponta do Patacho

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Este sítio foi o primeiro sítio declarado ao CNANS (Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática), por Donato Caires e Carlos Freitas, no Arquipélago da Madeira. Na altura tratava-se de um núcleo de 4 canhões em ferro e vários núcleos de bolas de canhão, um objeto indeterminado de forma circular, em ferro, que está muito concrecionado na rocha e as pedras faceadas no fundo, a cerca de 20 metros, que poderão representar o lastro da embarcação.

Trata-se possivelmente de um Patacho, embarcação muito utilizada entre os séculos XVI ao século XVIII, nome atribuído pelos populares ao local.

Um dos canhões foi “surripiado” e recuperado mais tarde, aguardando-se agora a sua restituição ao local de “origem”.

Património Cultural Subaquático – Slot Ter Hooge

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Numa pequena baia no norte da Ilha do Porto Santo encontra-se naufragado o Slot Ter Hooge. Trata-se de um VOC da companhia das Índias Holandesas de 850 toneladas de deslocamento. Proveniente: Holanda com destino à Batávia atual Jacarta, Indonésia.

Naufragou na madrugada de 19 para 20 de Novembro de 1724, na costa norte do Porto Santo, com 250 almas a bordo, destes apenas 33 sobreviveram.

A carga composta 19 baús contendo cada um, cerca de 100 barras de prata de 4 libras cada, 3 Baús de moedas mexicanas e espanholas, 6 Sacos com o peso de 50 libras,  1 baú com 30 sacos de 300 florins, vinhos, brandies e azeite;

Alguns meses após o naufrágio chegou à ilha uma embarcação de nacionalidade inglesa, especializada na recuperação de salvados, que após várias campanhas em anos consecutivos, recuperou parte da carga do naufrágio. Utilizando um inovador método de submersão com ar assistido da superficie, desenvolvido por um inventor inglês, Jonh Lethbridge, que lhe permitia submergir até aos 18 metros de profundidade, durante cerca de 20 minutis

Em 1974, após a revolução de Abril um arqueólogo/caçador de tesouros belga, Robert Sténuit, saqueou grande parte da restante carga. Esta ação originou um grande processo internacional de contestação dos direitos sobre o espólio exumado, que ajudou a estruturar a presente legislação nacional de defesa e salvaguarda do património subaquático de Portugal.

Ainda hoje é possível ver parte da carga recuperada e posteriormente “doada” à Região por Sténuit, na Casa museu Cristóvão Colombo na ilha do Porto Santo.

Foto: Internet

Património Cultural Subaquático – O Pronto

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O Prompt ou Pronto, era uma embarcação em ferro, com cerca de 30m de comprimento, 6m de largura de boca, 2.5m de pontal e deslocava 160 t. Chegou a Madeira em agosto de 1912 e durante cerca de 8 anos o Pronto foi utilizado como barco de carreireiro, transportando principalmente carga à volta da ilha da Madeira.

Entre 1921 e 1922 foi submetido à substituição integral do casco, após as reparações, foram detetados defeitos técnicos que impediam que a embarcação navegasse a mais de 5 nós em mar chão e tempo calmo, o que o impossibilitava de prosseguir com as suas funções de cabotagem no mar alteroso e forte do norte da ilha da Madeira. A empresa proprietária optou desta forma por transformar o Prompt em “fragata de água”, passando a estar ao serviço do porto do Funchal.

O Pronto acabou por naufragar no dia 16 de abril de 1929, pelas 17h30. Segundo relatos da época, a embarcação saiu da Pontinha, onde terá carregado cerca de 200 t de água, e foi fundear em frente ao ilhéu Velho, a 16 braças, com condições climáticas favoráveis e sem vento, ficando aproada a leste. Após a chegada da tripulação a terra, terá levantado a proa e afundou a popa até desaparecer totalmente.

No seu relatório, o Cmdt. Afonso Coelho que dirigia a frota na qual estava integrado o pequeno Prompt, apresenta a teoria de que as anteparas da ré, junto à casa das máquinas terão cedido, alagando o compartimento à popa onde estariam as caldeiras e a máquina, fazendo com que este fosse ao fundo a pique. Este facto pode facilmente ser confirmado através da observação dos danos ainda visíveis na zona do leme e hélice.

Intervenção Arqueológica da Rua de Santa Maria, Edifício Bordados João de Sousa Viola, Lda.

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Os edifícios da intervenção estão inseridos no centro histórico de Santa Maria, o primeiro núcleo urbano de desenvolvimento da cidade do Funchal. Com base na pré-avaliação do enquadramento do sítio arqueológico foram definidas sete sondagens de diagnóstico de modo a determinar os impactes negativos do empreendimento e salvaguardar o património cultural.

Os dados mais significativos da intervenção correspondem aos níveis ocupacionais anteriores à construção do edifício atual, interpretados como espaços exteriores/públicos, como é o caso do arruamento do século XVI-XVII, orientado sul – norte, que ligaria a Rua de Santa Maria à Rua Nova (atual Rua Latino Coelho). Os estudos parietais permitiram-nos ainda identificar parte do troço da muralha do Funchal, que poderá corresponder à descrita no segundo regimento de D. Sebastião (1572) que indica a construção de tal estrutura e a partir da qual os edifícios atuais se adossaram e desenvolveram.

A cultura material recolhida perfaz um total de 4.172 fragmentos dos quais destacamos as faianças, diversos materiais metálicos, fragmentos de escova de dentes em marfim e um dado em madeira com inscrição, que estabelecem cronologias para os diferentes níveis ocupacionais.

Intervenção Arqueológica na Rua da Conceição

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Os edifícios da intervenção arqueológica da Rua da Conceição, localizados na freguesia da Sé, concelho do Funchal, encontram-se abrangidos pela atual Zona de Proteção do Palácio dos Cônsules, integrado no Centro Histórico da Sé.

As evidências arqueológicas documentadas correspondem, sobretudo, a um espaço público, um arruamento datado do século XVII-XVIII, anterior à construção do edifício atual, composto por pedras basálticas lajeadas, com uma morfologia arredondada, de média dimensão, que se desenvolvia no sentido NO-SE, e que podia ter ligação à Rua da Conceição.

De um modo geral, registámos uma grande diversidade tipológica de cerâmica comum de produção local utilitária, como panelas, pratos, especieiros/saleiros e bilhas atribuídas ao período Moderno e que constituem o quadro quotidiano das populações daquela zona da cidade.

Intervenção Arqueológica no Largo do Pelourinho

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A intervenção arqueológica decorreu em edifícios localizados na atual Zona Geral de Proteção (50 metros) do Largo do Pelourinho, junto ao imóvel que integra o Passo Processional do Largo do Pelourinho do século XVII.

A construção deste conjunto edificado remonta, possivelmente, ao século XVIII, com base na identificação de materiais arqueológicos do período Moderno, mas também pelas caraterísticas arquitetónicas dos muros deste conjunto, composto por pedra irregular aparelhada consolidada por argamassa de cal.

A partir da sondagem de diagnóstico definida, a equipa recolheu alguns dados que correspondem ao nível de circulação do Largo do Pelourinho, anterior à construção do edifício atual.

Os vestígios arqueológicos identificados durante a intervenção nesta área caraterizam o espaço entre os séculos XVII e a atualidade.